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Professora de Coronel Sapucaia vai comandar CNTE e representar 4,5 milhões da educação

By Richelieu de Carlo
Professora de Coronel Sapucaia vai comandar CNTE e representar 4,5 milhões da educação (Foto: Divulgação/CNTE)

abalhadores em Educação). A pedagoga formada pela UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) tomou posse neste domingo (18), após votação que contou com a participação de cerca de dois mil delegados e delegadas de todas as regiões do País. Ela vai comandar a entidade representativa de cerca de 4,5 milhões de educadores que atuam nas escolas públicas brasileiras durante o quadriênio 2026–2030.


Fátima iniciou sua trajetória como professora em Coronel Sapucaia, município localizado na fronteira com o Paraguai, passou pela presidência da Fetems (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) e foi secretária de Relações Internacionais da CNTE e vice-presidente da Internacional da Educação para América Latina.

A pedagoga é a segunda mulher a presidir a CNTE em toda a história da entidade, após Juçara Dutra Vieira (2002–2008). A eleição ocorreu durante o 35º Congresso da CNTE, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília (DF), entre os dias 15 e 18 de janeiro.

“Não se trata apenas de ocupar um cargo, mas de reafirmar que as mulheres têm voz, têm história e têm papel central na luta sindical e na construção da educação pública brasileira”, declarou Fátima durante sua posse, após o anúncio da chapa vencedora, com 93,76% dos votos.

Em seu primeiro pronunciamento, Fátima conectou sua trajetória pessoal à luta coletiva de mais de um milhão de trabalhadoras e trabalhadores da educação.

“Chegamos até aqui com o coração cheio de esperança, gratidão e muita responsabilidade”, afirmou, antes de situar suas origens. “E se alguém perguntar de onde venho, como diz a música Sonhos Guaranis, ‘venho da fronteira onde o Brasil foi Paraguai’”.

Sua carreira no magistério começou em 1985, em Coronel Sapucaia, município que ela define como parte do “Brasil profundo”, onde fronteiras são mais encontros do que limites.

“Vim do chão da escola, e foi lá que descobri muito cedo que ser educadora é um ato de coragem”, declarou a professora.

Sua trajetória acompanha a própria organização da categoria no Centro-Oeste. Participou de greves históricas ainda nos anos 1980, ajudou a fundar a associação local de professores e chegou à presidência da Fetems, cargo que ocupou por dois mandatos (1996-2002).

Em seu discurso, Fátima rejeitou a leitura de que sua posse seja apenas uma mudança administrativa. “Não se trata apenas de ocupar um cargo, mas de reafirmar que as mulheres têm voz, têm história e têm papel central na luta sindical e na construção da educação pública brasileira”, afirmou.

Nova diretoria da CNTE foi eleita com 93,76% dos votos no 35º Congresso da CNTE. (Foto: Divulgação)

Avanço da extrema direita

Fátima Silva alertou para o avanço da extrema direita, os ataques às instituições democráticas. “Companheiras e companheiros, não viveremos dias fáceis e em calmaria. Por isso, precisamos estar juntos e nos apoiar, alimentar a esperança, estar presentes na nossa base social, porque é de lá que vem a nossa força”, discursou.

Entre as prioridades anunciadas estão a resistência à Reforma Administrativa, a garantia do Piso Salarial Profissional Nacional com repercussão na carreira e a defesa da liberdade de cátedra. 

“Temos a luta permanente pela autonomia nos processos de ensino e aprendizagem, enfrentando a onda conservadora que nos coloca sob ataque e vigilância”, afirmou.

Com ampla experiência internacional, Fátima afirmou que a soberania dos povos é inegociável. Criticou a “ganância imperialista” e defendeu o fortalecimento da articulação com a Internacional da Educação e com centrais sindicais do mundo. 

“Precisamos ampliar a solidariedade aos povos irmãos da América Latina e do mundo, resistindo em defesa da paz, dos direitos humanos e do multilateralismo”, disse.

Ao encerrar sua fala, sintetizou o espírito que deve guiar a CNTE até 2030: honrar o passado sem abrir mão da invenção do futuro. “Legado não é passado. É projeção de novos caminhos de resistência, lutas, conquistas e esperança.”

Com a força de quem começou a lecionar na periferia da fronteira e hoje lidera uma entidade de dimensão continental, Fátima concluiu com uma convocação à unidade e à bravura:

“O presente nos convoca, o futuro nos desafia. A vida e a luta exigem coragem. E coragem não nos falta.”




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